3:31
Ouço de longe o som de passos ecoando pelos corredores da minha mansão. O som é
distante, mas sim, posso ouví-lo
O rítmo das passadas é acelerado e constante.
3:32
A porta do aposento se abre.
- Meu senhor, a senhorita vanessa o aguarda na sala de estar.
Diz o meu fiel servo.
- Desço num minuto. Sirva à ela um bom vinho.
- Sim meu senhor.
Meu fiel servo olha para o esquife de cristal à minha frente.
- Senhor, se me permite comparar, ela nao é de longe tao bonita quanto a senhorita Maria.
- Ninguém é, meu caro Tobias, ninguém nunca será.
Depois de olhá-la com um sorriso terno, meu fiel servo se retira, e eu fico sozinho a
contemplar a beleza magnífica da mulher no esquife. Não como ela está agora, com sua
aparência mortal, embora possua uma beleza estonteante, capaz de enlouquecer o mais
sensato dos homens. Os olhos que a vêem sao imortais, e a vêem em sua forma imortal. Como
ela deveria ser agora. A pele palida como giz, e de aparência delicada , contrasta com os
cabelos escuros , bonitos como a noite. Nao. Mais bonitos, como as trevas durante um
eclipse. Os lábios perfeitos mostram um eterno sorriso, que só seria mais lindo combinado
com a expressao doce e ao mesmo tempo sombria que ela teria no olhar, se ainda pudesse
abrir os olhos. O corpo dela é simplesmente a perdição. Um rei merece uma rainha à sua
altura, mas ela certamente iria mais além. Seríamos os donos da noite, e ela seria a dona da
minha vida, se é que tenho uma. Seríamos eternos, como o que eu sinto por ela. Sim,
vampiros podem sentir. Acredito que uma parte do nosso antigo ser fica presente depois da
conversao. Talvez tenha a ver com a necessidade de sangue. Humanos e vampiros necessitam
de alimentos, e esse é o eterno elo entre o mortal e o imortal. Mas o imortal sempre vai
subjulgar o fraco mortal.
Por isso Maria está assim, porque o mortal fraco que ainda existe em mim nao pôde conter o
imortal sedento por sangue. E está aqui para me lembrar da noite mais perfeita da minha vida,
e também da minha pós-vida.
Nossos corpos nus e entrelaçados, o frio e o calor em perfeita harmonia. Era um momento
perfeito. A alma pura dela trouxe a minha própria alma por um momento das profundezas. Por
um momento fomos um só, luz e trevas, vida e morte em perfeita harmonia. Mas a harmonia foi
quebrada quando a luz dela venceu as trevas em mim e senti vida em mim de novo. O vampiro
sanguinário sentiu temor, e ordenou ao humano fraco, falando em sua cabeça " vamos, tome-a
para si, ela é sua " . Continuei a sentir vida em mim, mas agora de forma diferente, e percebi
tarde demais que estava drenando a vida de Maria.
Forcei o humano fraco a tomar novamente o controle, apenas para ver a vida lentamente se
extinguir de Maria. Já era inútil parar. Seu corpo esfriava e com ele a minha alegria. A visão do
seu corpo estendido em meus braços, o gosto de seu sangue na minha boca, a sensação de
sua vida correndo agora pelo meu corpo sempre será um tormento, tanto para o humano
quanto para o vampiro.
3.33
Escuto as palavras do meu fiel servo novamente em minha cabeça. " Senhor, se me permite
comparar, ela nao é de longe tao bonita quanto a senhorita maria " . Olho mais uma vez para
maria e respondo entao, em voz baixa para mim mesmo :
- ninguém é, e nem nunca será...
domingo, 28 de julho de 2013
3:33
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